Grafitti de Marcelo Siqueira - www.galeriadoartista.com.br + Vá de bike! +

Aqui você encontra textos sobre o uso da bicicleta como meio de transporte, mountain-bike, ciclismo em geral e, vez ou outra, sobre cultura web e computer games. Há também alguns textos que eu escrevi sobre gestão de TI e de equipes, veja o arquivo do site.

Para entender por que eu defendo o uso da bicicleta como meio de transporte,clique aqui.

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ÍNDICE (ou quase isso)

Por que ir de bicicleta?

Dicas para o ciclista urbano:

Parte I: Como sobreviver ao trânsito
Parte II: Pedalando de madrugada
Parte III: Por que não pedalar na contramão?
Parte IV: Por que ocupar a faixa
Parte V: Na empresa não tem chuveiro, como eu faço?

O que o Código de Trânsito diz sobre nós ciclistas
+mais dicas

+Bicicleta é transporte

+Bicicleta é esporte

+Bicicleta é viajar

+Bicicleta é muito mais

+A Bicicleta em São Paulo

+Motorcracia

+São Paulo parada

+Pobre humanidade...

+Comentários do geek

+Papo de gerente

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algum texto desse site

04/07/2008 19:15

Bicicletarias de São Paulo


Mapa colaborativo com as bicicletarias de São Paulo. É possível contribuir, acrescentando bicicletarias à lista. Bela iniciativa, bastante útil para quem procura uma loja perto de casa ou do trabalho. Iniciativa do cicloativista Marcelo Mig.

enviada por +crux+



03/07/2008 18:50

Dicas para o ciclista urbano parte V

Minha empresa não tem chuveiro, como eu faço?

Muita gente me pergunta: como fazer para ir trabalhar de bicicleta se na minha empresa não tem chuveiro?

Já faz um bom tempo que eu estou para escrever sobre isso aqui e acabo esquecendo, ou quando lembro estou sem tempo. Finalmente tomei vergonha na cara e escrevi sobre o assunto.

Acabo de ver as dicas de uma menina, em vídeo, no site Treehugger. A moça se chama Dorothee e é de um site chamado Earth First, que pelo que entendi se dedica a desmascarar iniciativas de "maquiagem verde" (greenwashing) e oportunismos em relação ao tema meio ambiente.

O vídeo diz algumas coisas bem legais para quem está começando. E o legal é que quem dá as dicas é uma moça, mostrando que até mulheres preocupadas com a aparência depois da pedalada podem adotar esse bom hábito com um pouco de inteligência e boa vontade. Está em inglês, sem legendas, mas fiz um pequeno resumo, que coloquei logo abaixo do vídeo. Se alguém legendar o vídeo, me informe que eu coloco o novo link aqui.



Basicamente, o que ela diz é:

  • Leve uma camiseta limpa na mochila, para se trocar quando chegar ao destino. É por isso que os ciclistas costumam usar mochilas...

  • Limpe as axilas com lenços umedecidos.

  • Se o capacete estraga seu cabelo, use uma bandana.

  • Se você não quer chegar de capacete e suado no destino, pare em algum lugar antes para se trocar no banheiro.

Eu ainda acrescento o seguinte:
  • Banho: Se possível, tome um banho *antes* de pedalar. Ajuda a não ficar com odor ao suar.

  • Antitranspirante: Use sempre um desodorante antitranspirante, antes e depois da pedalada.

  • Axilas: Se você conseguir lavar as axilas numa pia de banheiro, melhor ainda (seque a pia depois). Senão, limpe com o lenço umedecido, depois seque e passe o antitranspirante.

  • Cabelos: Se você tem cabelos bem curtos, pode lavá-los na pia também. Nem precisa xampú, água em abundância já resolve. A garrafinha de água quebra um galhão nessa hora: coloque a cabeça em cima da pia e jogue a água por cima.

  • Playground: Limpe também a área genital com os lenços umedecidos.

  • Toalha: Leve uma toalha de rosto. Seque com ela o que você tiver lavado (rosto, axilas, cabelo) e depois use a toalha úmida para limpar o resto do corpo.

  • Roupas: Leve na mochila uma muda de roupa completa e se troque no banheiro. É importante levar principalmente outra roupa íntima e outro par de meias.

  • Bermuda: Recomendo pedalar de bermuda, para não sujar a calça na corrente ou nos raios das rodas, mas se o tempo não permitir isso, você pode prendê-la junto à perna com velcro ou enrolar a barra para cima até o joelho.

  • Sacolas: Leve sacolas plásticas para embalar a roupa suja. Leve a roupa limpa também dentro de uma sacola plástica, assim se chover no meio do caminho, a roupa limpa continuará seca.

  • Roupa social: Precisa levar uma camisa que amassa? Dobre-a e coloque dentro de uma daquelas pastas plásticas mais altas, que se usa em escritórios. Coloque a pasta na mochila ou, se sua bike tiver, no bagageiro. Algumas lojas usam um truque que é dobrar a camisa em volta de um pedaço de papel cartão ou papelão, colocando também uma tira de papel cartão debaixo da dobra do colarinho. Uma calça social pode ir dentro dessa mesma pasta, debaixo da camisa. O paletó pode ficar na empresa...

  • Perfume: Você pode passar um perfume depois de se limpar, mas não exagere para não ficarem achando que você se encheu de perfume para esconder algum cheiro de suor (você não vai ficar com cheiro de suor se tiver usado um antitranspirante - os de roll-on tem um efeito bom).

Se você tem alguma dica boa, ou alguma crítica às dicas acima, deixe nos comentários!

enviada por +crux+



26/06/2008 19:50

Mudança de hábitos

A revista Bons Fluídos fez recentemente uma "experiência" em que uma pessoa teria que mudar 10 hábitos em um mês: coisas como economizar água, separar e reciclar o lixo, deixar o carro em casa e outras atitudes de consciência ambiental. Aquelas coisas que todo mundo aplaude e diz que é a favor, mas acaba não fazendo. Corajosa e decidida, Carol Costa aceitou o desafio e passou do discurso á atitude. E não só encarou esse desafio até o final, como ainda aceitou repetir e mudar ainda mais os hábitos, aprimorando sua atitude ecológica.

O dia-a-dia dessa menina foi relatado em blog e pode ser acompanhado a partir daqui. Os links para os dias subseqüentes estão numa coluna à direta da página.

Entre outras mudanças, Carol passou a usar a bicicleta para se locomover, por motivos óbvios: não polui, não consome energia, não contribui para aumentar o efeito estufa. Os dias em que ela relata seu contato com a bicicleta, para os ciclistas mais afoitos e sem paciência para ler tudo, estão nos links a seguir:

1ª fase - Dia 2: Uma maníaca sobre rodas
1ª fase - Dia 15: Um lugar acolhedor
1ª fase - Dia 17: Sem GPS
1ª fase - Dia 27: Sra. M
2ª fase - dia 16: A bike para chamar de sua
2ª Fase - Dia 24: Alugue uma magrela
2ª Fase - Dia 28: Protesto sobre duas rodas

No último post da primeira fase tem uma foto da Carol em sua bicicleta.

Infelizmente, parece que Carol não se adaptou muito ao uso da bicicleta. Em um post ela dizia que não sabia bem se devia andar na calçada ou na rua; em outro, ela diz ter levado mais tempo de bicicleta do que a pé, por dificuldade em escolher rotas. Em outro blog ela relata, com bastante frustração, como foi a primeira pedalada, deixando claro que faltou alguém que lhe desse umas dicas básicas. Talvez se ela tivesse apoio de alguém já acostumado a isso, tivesse achado mais fácil e até divertido. Ou talvez o problema tenha sido ela encarar como obrigação, não como diversão...

Em post mais recente, dá para perceber que ela voltou a usar o carro. Comenta, inconformada, sobre os motoristas que se xingam implicitamente com as buzinas irritadas, pelos motivos mais bobos, e comenta que não faz uso da buzina quando dirige.

É realmente uma pena ela ter visto apenas o lado ruim do outro mundo que experimentou. Em seus textos, houve mais comentários negativos sobre a bicicleta (alguns muito sutis, outros em forma de ironia) do que positivos, o que deixa transparecer que a experiência foi interessante, mas não lhe agradou muito. Em dado momento, ainda durante a experiência, ela chega a comentar em tom de brincadeira que a melhor maneira de se deslocar na cidade seria de táxi...

Uma pena, Carol... Bem vinda de volta ao mundo das buzinas estressadas e da luta de vida ou morte para avançar mais meio metro. :) Se prefere terceirizar esse stress a um taxista, muito bem, mas se quiser um apoio para se livrar disso mais uma vez e usar novamente a bicicleta, dessa vez de uma forma mais fácil e agradável, tem um monte de gente ávida por lhe ajudar, seja com dicas ou companhia.

enviada por +crux+



23/06/2008 18:45

Desrespeito às leis

É irônico como a prefeitura desrespeita as leis e a imprensa nem comenta (e geralmente ainda aplaude). O desrespeito está espalhado pela cidade toda e se tornou prática comum, mas por falta de conhecimento das leis por parte da própria população, passa desapercebido, mesmo estando sob nossos narizes.

Além dos desrespeitos às leis no Complexo Viário Real Parque (Estilingão e "Avenida Jornalista"), a prefeitura descumpre as leis ao liberar pistas recapeadas sem pintar a chamada sinalização horizontal. Faixas de pedestre, faixas entre as pistas de rolamento, indicações de "pare" e até rotatórias foram engolidas pelo asfalto eleitoral em muitas ruas e avenidas de São Paulo.

R. Pamplona com R. Ribeirão Preto, sem faixa de pedestres
A esquina das ruas Pamplona e Ribeirão Preto ficou assim por quatro meses.
Foto: Incautos do Ontem
A R. João Cachoeira (Itaim Bibi), por exemplo, foi recapeada há meses, mas até hoje as faixas de pedestre e demais sinalizações de solo não foram pintadas. O mesmo tem acontecido na Av. Paulista, nos Jardins, na Moóca, em Perdizes e diversos outros pontos da cidade. O pior é que esse não é um problema exclusivo de São Paulo: o Rio também sofre com a negligência da prefeitura.

Segundo o Art. 88 do Código de Trânsito Brasileiro, "nenhuma via pavimentada poderá ser entregue após sua construção, ou reaberta ao trânsito após a realização de obras ou de manutenção, enquanto não estiver devidamente sinalizada, vertical e horizontalmente, de forma a garantir as condições adequadas de segurança na circulação". Seja em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Manaus.

No entanto, o que acontece é que a via mal é fechada durante o recapeamento. Não há a menor preocupação com a pintura da sinalização horizontal, o que importa é liberar rápido a pista para não comprometer a "fluidez". Mesmo que o risco de abalroamento lateral entre os carros aumente, mesmo que a faixa de ônibus passe a ser ignorada, mesmo que o risco para os motociclistas e ciclistas aumente, mesmo que os pedestres não tenham onde atravessar porque a maré de carros entalados no congestionamento cobre o pavimento todo. Melhor seria entregar uma via bem sinalizada do que três sem sinalização.

Sinalização na via é uma questão de segurança e a vida das pessoas é mais importante que a fluidez e a pressa.

enviada por +crux+



23/06/2008 17:35

Ciclista, não ande na ponte!

Alguns ciclistas que usam a Ponte Octávio Frias de Oliveira, o famoso Estilingão, se depararam com uma cena inusitada na última semana: uma viatura da GCM parada no acostamento, gritando em um megafone frases como "CICLISTA, NÃO ANDE NA PONTE" ou "CICLISTA NÃO PODE"...

Um dos ciclistas comentou que deveriam usar a mesma técnica para gritar "motorista, não pode!" em caso de motorista estacionado na calçada, parado em cima da faixa, andando no corredor de ônibus, avançando em cima de pedestres que estão na faixa, etc.

Talvez devêssemos ir com o megafone até a frente da Prefeitura, gritando "prefeito, não pode", em referência à falta de estrutura cicloviária e de pedestres na construção da ponte estaiada, o que além de tudo é um desrespeito à leis. A ironia é que são leis municipais, que o próprio município descumpriu.

Mas dos males, o menor: pelo menos é uma cena engraçada... :)

enviada por +crux+



20/06/2008 17:15

Compre nosso carro e seja alguém na vida

O Panóptico publicou ótimas reflexões sobre o comercial do Prisma, um carro que promete fazer de você alguém, colorir essa sua vidinha chata, transformar operário em engenheiro e outros milagres. Compre nosso carro, seja alguém, ou continue sendo um João-ninguém nun mundo cinza.

Se você precisa de um carro imponente para se sentir alguém na vida, é melhor gastar esse dinheiro com um bom psicólogo, porque o carro não vai resolver seu problema. Na hora que descer do carro, vai ter que ficar girando a chave na mão pra mostrar que ainda é alguém, mesmo fora da embalagem de metal.

Veja mais sobre propagandas abusivas e absurdas

Você não é seu carro

Dirigir é como viver

Campanha realmente agressiva

Associando carros com consciência ecológica

Crianças são o inimigo

Contra a propaganda automobilística

Dirija fora da linha

Compre uma prisão

Você acredita em auto-regulamentação publicitária?
E em coelhinho da páscoa?


Na Noruega não existe EcoSport
É tudo mentira

Distorcer para vender

Desvalorizando quem não tem carro

As crianças sonham com o quê mesmo?


Reflexões

Calcule quantos anos de sua vida você gasta dirigindo

O automóvel e o desgaste social

Carros são o "acidente" que mais mata crianças em São Paulo

Mais meio bilhão para a Volkswagen?

Carro mata, use com cuidado


enviada por +crux+



03/06/2008 13:29

A culpa é do pedestre

Matéria do jornal Bom Dia Brasil coloca a culpa dos atropelamentos nos pedestres

Em matéria veiculada hoje de manhã na Globo (assista aqui), foi passada a idéia de que quase todos os atropelamentos - dois por dia só na capital paulista - são por culpa dos pedestres. Enquanto eram exibidos comportamento de risco (ou suposto risco, já que as imagens só mostravam momentos selecionados e sem exibir toda a via), reforçava-se continuamente a quantidade de pedestres que morre no trânsito, dando a entender que a culpa de tantos atropelamentos é por atravessar fora da faixa ou com o sinal aberto para os carros.

É fácil perceber como a matéria foi produzida para conduzir o raciocínio do espectador. As imagens estão mostrando só gente atravessando na faixa (com o sinal aberto para os carros, mas na faixa). Então, por volta do 1 minuto de vídeo, a imagem mostra um monte de gente atravessando na faixa (câmera dentro do carro) e, logo depois da fixa, duas pessoas atravessando fora dela, com a locução dizendo que "pedestre raramente usa a faixa". A locução continua: "...ou respeita o sinal", mostrando uma única senhora atravessando no meio dos carros enquanto a maioria dos pedestres está aguardando para atravessar.

Fica muito fácil embasar um argumento ao exibir um vídeo junto. Você pega o pedaço de vídeo que te interessa e exibe junto com a locução que transmite a mensagem que você quer passar, reforçando o que foi dito, mesmo que não seja a exata reprodução da realidade.

Além disso, a matéria usa algumas estatísticas para comprovar o argumento, sem fazer nenhuma reflexão sobre elas. Ao 1 minuto e meio do vídeo, diz-se que os atropelamentos em Recife "cresceram mais de 13% em dois anos". Mas em quanto aumentou a frota de veículos da cidade, nesse mesmo período? O que será mais provável: o aumento de veículos nas ruas ter contribuído para que ocorram bem mais acidentes, ou de dois anos para cá os pedestres terem começado a atravessar a rua como completos imbecis? Assim, de uma hora para outra? Um belo dia o cidadão acorda e fala "tomei uma resolução na minha vida: a partir de hoje não vou mais esperar o bonequinho verde".

Ok, há razão em dizer que o pedestre está errado de cruzar uma rodovia pela pista, tendo uma passarela próxima (embora para muita gente seja questionável os pedestres terem que desviar bastante seu percurso para permitir a passagem dos carros, não o contrário). Mas vamos pensar: por que as pessoas não esperam o sinal abrir quando vão atravessar na faixa? Ora, todo mundo já atravessou a rua com o sinal aberto para os carros - tenho certeza que até mesmo os jornalistas que produziram e comentaram a matéria. Duvido inclusive que durante a produção da matéria a repórter e o câmera não cometeram a mesma infração em nenhum momento. Mas então por que as pessoas fazem isso?

Primeiro, porque se na hora que você vai atravessar não vem nenhum carro, ninguém vai ficar ali parado esperando o sinal abrir. Nem faz muito sentido: não vem carro, rua livre, para que esperar? Atravessar não vai colocar ninguém em risco. Não é como, estando de carro, passar um sinal fechado num cruzamento, pois mesmo não vindo carro um pedestre pode estar atravessando.

O segundo motivo é que se o sinal leva mais de 5 minutos para abrir, sejamos justos, não há pedestre que tenha paciência em esperar! Experimente fazer um sinal de trânsito que leve mais de 5 minutos para abrir para os carros, para ver se os motoristas têm paciência: será igualmente desrespeitado, resguardados os limites mínimos de segurança... Mas pedestre pode esperar, não é? Afinal, a prática contrariando a lei diz que a prioridade é dos carros.

Travessia em duas etapas
Placa na Av. Paulista, pedindo para os pedestres esperarem os carros que não podem esperar
É como naquele sinal na Av. Paulista, que tem uma placa ridícula no meio das duas pistas dizendo que ali deve ser feita uma "travessia em duas etapas". O pedestre espera 5 minutos para o sinal abrir, atravessa até a metade e espera mais cinco minutos para poder terminar de atravessar. por que o pedestre esperar cinco minutos a mais para atravessar uma rua é algo aceitável, mas o motorista esperar 5 segundos a mais para que o pedestre atravesse a segunda pista, não é? Como isso pode ser normal? Como isso pode ser aceitável? É um completo absurdo! Aquela placa é uma afronta!

Então, no vídeo, vem a piada: "a secretaria de transportes achou melhor educar quem anda a pé". Claro. Mais fácil que tornar as vias mais humanas, né? Mais fácil que inverter as prioridades. Mais fácil que fazer cidades para as pessoas. Mais fácil que lembrar que fora do carro, também somos pessoas.

A matéria mostra então a solução inteligente: um sinal de pedestres que mostra quanto tempo falta para fechar. Ora, mas não é para isso que o bonequinho vermelho fica piscando? Não é para avisar que o sinal vai fechar? E o código de trânsito não diz que os carros devem esperar que quem está fazendo a travessia termine, para que se uma pessoa com dificuldade motora estiver atravessando quando o bonequinho vermelho piscar, os carros aguardam que ela termine? Ou para que uma pessoa que começou a atravessar com o bonequinho verde aceso não precise sair correndo como se fugisse da morte iminente?

Já no final da matéria, quando disseram que a maioria das vítimas são idosos, eu tive uma ponta de esperança sobre um desfecho razoável para a matéria. Mas então o âncora reforça em tom de revolta que, na maioria dos casos, a culpa é do pedestre (e fica tentando fazer algumas ressalvas para justificar seus argumentos). Ah, esses perigosos velhinhos, que demoram para atravessar e colocam em risco os motoristas... Ele mal lembrou que também é da terceira idade. Provavelmente vai sempre de carro até a porta do local onde deseja ir, para não ter que atravessar nenhuma rua. Afinal, o trânsito é perigoso, que sorte a minha ter um carro!


Saiba mais (e bem mais):

Carros são o "acidente" que mais mata crianças em São Paulo

Pedestre corre risco nos cruzamentos da capital - matéria do O Globo Online que a redação do Bom Dia Brasil não pensou em consultar

Ponte mais democrática - Como tornar a Ponte Estaiada acessível a ciclistas e pedestres

As cercas da vergonha - Medidas "disciplinatórias" de pedestres

Repressão preventiva - CET protegendo os carros dos pedestres, quando deveria fazer o contrário

Pedestre não mata motorista - Estruturas anti-pedestre e a priorização do automóvel no planejamento urbano

O pedestre que se dane - O descaso com o pedestre se tornou uma situação normal

Quantos atropelamentos mais, CET? - Descaso com os pedestres na Av. Sumaré (texto escrito antes da implementação de uma travessia de pedestres)

Mas o que é um acidente, afinal? - Até que ponto um acidente de trânsito com vítimas fatais pode ser considerado como tal?

Carro mata, use com cuidado - Videos de uma campanha australiana que todo motorista deveria assistir

SUVs na mira - Por que esse tipo de veículo está sendo alvo de protestos na Inglaterra

Ao pedestre, com carinho - Como os carros se preparam para causar menos danos em caso de atropelamento

enviada por +crux+



19/05/2008 20:37

Presente de dia das mães

A alegria do primeiro passeio de bicicleta
A alegria do primeiro passeio de bicicleta
No último final de semana, eu dei um presente diferente para minha mãe. Nada de presentes caros, perfume, roupas ou coisas legais mas que vão ficar encostadas. Dei a ela uma coisa que poucas mães já ganharam: um par de luvas de ciclismo. Ela estava querendo luvas amarelinhas, de meio dedo. Ela ficou toda feliz, dava até pulinhos de alegria...

Não, minha mãe não é atleta. Não participa de triatlo e nem de corridas de estrada, muito menos competições de mountain-bike. Ela é apenas uma mulher de 65 anos que, acredite, sempre teve medo de andar de bicicleta. E ainda tem! Ela tem medo de cair e quebrar alguma coisa que não conserte direito, por causa da idade. Mas no começo desse ano eu a levei no Ibirapuera, junto com minha mulher e meu filho, para andarmos de bicicleta. Eu e minha mulher fomos pedalando pela rua, ela e meu filho foram de carro.

A bicicleta do meu filho não estava na minha casa, então ele foi sem e lá alugamos um triciclo pequeno. Minha mãe olhava para as bicicletas com uma vontade... Mas ficava com medo. Tentei convencê-la de que eu a ajudaria a se equilibrar e ensinaria como se faz, mas ela não queria se arriscar.

Então sugeri que ela também alugasse um triciclo. Tem uns maiores, que tem aro tamanho 26 na frente e 24 atrás, com uma cestinha entre as duas rodas de trás. Depois de pouca insistência, eu a convenci e lá foi ela pedalando.

Demos duas voltas na ciclovia do parque, o que dá mais ou menos uns 9km. Ela estava feliz da vida, sorria, dizia "isso sim que é liberdade", "é como eu imaginava nos meus sonhos, quando sonhava que estava andando de bicicleta" e outras frases igualmente inspiradoras. Ela comparou com esportes de água e ar, dizendo que a imagem de liberdade no ar é a asa delta, na água é o esqui-aquático (não sei de onde ela tirou essa, hehe) e na terra (no chão) é a bicicleta.

Ela dava pulos, feliz, quando terminou o passeio, agradeceu bastante e já queria saber quando voltaríamos ao parque. Voltamos mais uma ou duas vezes com ela e depois disso ela me surpreendeu ao me contar no messenger que tinha encontrado uma loja que vendia triciclos como aquele, que já tinha encomendado um amarelinho pra ela e me perguntava se eu achava que cabia no carro dela ou se era melhor mandar entregar.

Na noite que precedia seu primeiro passeio de triciclo pelas ruas do bairro onde mora, em São Bernardo do Campo, ela mal conseguiu dormir. Parecia criança. Até ligou para uma amiga no meio da madrugada, ansiosíssima, para contar que não via a hora do dia amanhecer para sair com a bicicleta.

E lá foi ela, de cabeça erguida e um sorriso de orelha a orelha, se sentindo livre como há tempos não se sentia. Foi à feira, a uma praça, deu voltas por ruas tranqüilas. No começo tentou andar pelas calçadas, até porque ela passa devagar. Mas descobriu que com um triciclo isso é impraticável, porque há muitos buracos, degraus, desníveis e trechos estreitos (quando ela me contou isso, eu comentei: "agora você sabe o que passa quem precisa usar nas calçadas uma cadeira de rodas"). Agora ela só anda pela rua e até já se arrisca na beiradinha de alguma avenida.

Ela deu até nome para o triciclo: Gorducha, já que não é uma bicicleta magrelinha. Agora ela sempre tem alguma história pra contar sobre a Gorducha.

Fala sobre motoristas que incentivam com uma buzinadinha simpática e sobre outros, mais raros, que se estressam porque ela está ocupando a rua que lhes pertence - mas esses não merecem atenção e são ignorados: ela segue em sua pedalada tranqüila, segue em sua alegria, distante do stress que acompanha esse tipo de gente, ao contrário dos primeiros, que ganham um sorriso sincero e um aceno simpático.

Conta sobre as pessoas na feira que se interessam pela bicicleta, que com a cesta atrás pode levar compras e até transportar cargas, e suas tentativas de passar o endereço do site para quem não sabe muito bem o que é internet.

Comenta sobre suas tentativas de convencer outras pessoas a compartilhar a pedalada com ela e sobre a descoberta de que muita gente parece ter medo de se divertir, de inovar, de se sentir jovem de novo.

Conta sobre outros ciclistas e pedestres que cumprimentam e puxam conversa, tornando os passeios ainda mais agradáveis, e sobre a reação simpática das pessoas ao ver uma bicicleta diferente nas ruas, pilotada por uma pessoa de mais idade.

Durante a semana, ela continua usando o carro, porque mora em SBC e trabalha em São Paulo. Mas faz um uso mais racional: vai de carro até a estação do metrô mais próxima e de lá segue de metrô e ônibus. Ela já faz isso há uns bons anos. E agora, nos finais de semana, usa a bicicleta para se divertir e para fazer compras nos locais mais próximos de casa. E acha muito mais divertido do que ir de carro...

Não lhe comprei um capacete, porque ela anda devagar e com um triciclo é mais difícil cair, pelo menos de uma forma a bater a cabeça. Recomendei o uso de luvas. Ela tinha um par usado, que era do meu irmão e estava na casa dela, mas com elas o guidão estava lhe machucando as mãos. Ela adorou as luvas novas.

Minha mãe me enche de orgulho.

enviada por +crux+






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Willian Cruz é mountain-biker praticante do estilo cross-country, mas adora descer uma escadinha com sua hard-tail. Ciclista urbano por definição, trilheiro de vez em quando, cicloturista quando pode, competidor uma vez ou outra e cicloativista na medida do possível, dá seus pulos por aí na área de informática. Gerente de Sistemas e Desenvolvedor com 18 anos de experiência, já trabalhou para empresas como Editora Globo, iG, Globo.com, Mandic e G&P, tendo participado de diversos projetos de publicação de conteúdo na internet.

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